Você já se perguntou por que algumas pessoas sentem um arrepio na espinha ao assistir um filme de terror ou ler um suspense eletrizante? Essa atração pelo que nos causa medo, longe de ser uma anomalia, é um fenômeno psicológico complexo e fascinante. A chamada psicologia do medo explica muito sobre nosso comportamento.
A verdade é que o gênero terror e suspense explora medos profundos e universais, muitas vezes ligados ao nosso inconsciente coletivo. Essas narrativas nos permitem confrontar nossos receios mais primitivos em um ambiente seguro, proporcionando uma experiência catártica.
Ao mergulharmos em histórias de terror, ativamos áreas do cérebro ligadas à adrenalina e ao prazer, criando um efeito de ‘montanha-russa’ emocional. Essa descarga de emoções, seguida pelo alívio, pode ser viciante e terapêutica. Conforme apontam estudos sobre a psicologia do medo, essa experiência pode ser uma forma de sublimação de nossos próprios traumas e fobias.
A Resposta Fisiológica ao Medo: Adrenalina e Prazer
Quando expostos a situações de perigo simulado, como em um filme de terror, nosso corpo reage instantaneamente. A resposta ao medo envolve a liberação de adrenalina, que acelera o coração, aumenta a respiração e aguça nossos sentidos. Essa ativação fisiológica, conhecida como ‘lutar ou fugir’, é uma reação primitiva.
Curiosamente, essa mesma descarga de adrenalina pode gerar sensações de euforia e excitação. A psicologia do medo sugere que a liberação de dopamina, associada ao prazer, ocorre após o pico do susto, criando um ciclo viciante. É como se nosso cérebro buscasse essa intensa estimulação.
Catarse e Sublimação: Lidando com Nossos Medos Internos
O gênero terror e suspense oferece um palco seguro para explorarmos nossos medos arquetípicos, aqueles medos que parecem estar em nossa psique desde sempre. A psicanálise nos ajuda a entender como a exposição a esses temas pode funcionar como um processo de catarse, liberando tensões emocionais acumuladas.
A sublimação também desempenha um papel importante. Ao vivenciarmos o medo vicariamente através de personagens, podemos processar e lidar com nossos próprios traumas e fobias de forma indireta. O terror nos permite confrontar o sombrio sem sofrer as consequências reais.
Sociologia do Medo e Tabus Sociais
Além das razões psicológicas individuais, a sociologia do medo revela como o terror e o suspense podem refletir e questionar tabus sociais e ansiedades coletivas. Filmes de terror frequentemente abordam temas que a sociedade prefere ignorar, como a morte, a loucura ou a perda de controle.
A cultura do medo, onde o medo é constantemente alimentado pela mídia e por narrativas, também contribui para essa atração. Ao consumirmos conteúdo de terror, podemos estar buscando uma forma de entender e processar as ameaças percebidas em nosso mundo, mesmo que de forma simbólica.
O Efeito de ‘Montanha-Russa’ Emocional
A experiência de assistir a um filme de suspense ou terror é frequentemente comparada a um efeito de ‘montanha-russa’. Há momentos de tensão crescente, picos de susto e, finalmente, o alívio que vem com a resolução da trama ou a sobrevivência dos personagens.
Essa montanha-russa emocional, impulsionada pela estimulação cerebral e pela liberação de neurotransmissores, é o que muitos buscam. A psicologia do medo explica que essa variação intensa de emoções pode ser mais gratificante do que uma experiência emocional estável e previsível.


