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Yonlu – reflexão lúdica de uma jovem mente atormentada

Falar sobre suicídio permanece sendo um tabu. Abordar as angústias e morte de um adolescente de 16 anos sem torná-lo um herói ou um vilão é ainda mais complicado. Foi este desafio que Hique Montanari teve com Yonlu. O filme aborda os últimos dias de Yonlu, nome artístico de Vinicius Gageiro Marques, que com apenas 16 anos tirou sua vida em 26 de julho de 2006 após receber apoio através de um fórum na internet.

O filme utiliza animações (baseadas em desenhos do próprio Vinicius Gageiro Marques), videoclipes (trilha sonora das produções originais do artista) e dramatização da relação do protagonista com seus pais e seu psicanalista, para apresentar seu mundo e desespero. Montanari criou um filme artístico para retratar um artista através de sua arte.


Durante grande parte do filme vemos Yonlu interagindo com ele mesmo. A câmera sempre perto de seu rosto, aproximando o público do protagonista e nos fazendo cúmplices de sua aflição e de sua produção artística sombria. Quando interage com o fórum de internet, a fotografia exibe um verde cibernético e personagens com os rostos tapados representando o anonimato da rede. Por falar em interação, a todo o momento vemos Yonlu sozinho no mundo real. Em casa, seu quarto era seu refúgio, e com a arte se expressava, fosse com a música, ou  com a plástica. Em outros ambientes como colégio e até no centro de Porto Alegre, Yonlu é representado vivendo em uma realidade própria alheia às pessoas. Ele está sempre sozinho em espaços públicos, anda somente com o lúdico de seus pensamentos.


Apesar do tema complicado de ser retratado, Montanari criou uma atmosfera na qual criamos empatia pelo protagonista sem termos pena ou raiva de sua história. Méritos, inclusive, pela bela atuação de Thalles Cabral, que interpreta Yonlu, e mostra toda sua expressão para representar a angústia do personagem com a vida. Infelizmente, por se tratar de um adolescente, muitos adultos não conseguirão se colocar no lugar do personagem e não se lembrarão que em algum momento tiveram aqueles mesmos 16 anos e algumas daquelas angústias, mesmo que em grau menor. Espero que isso não iniba o público de assistir a este prodígio que pela influência errada foi embora muito cedo.


O filme recebeu o Prêmio Abraccine de Melhor Filme Brasileiro de Diretor Estreante na 4ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2017, ganhou como Melhor Filme da Mostra Internacional de Longas do 9° Festival Internacional de Cinema da Fronteira 2017, recebeu o Prêmio da Imprensa no 9° Festival Internacional de Cinema da Fronteira 2017, foi indicado ao prêmio de Melhor Diretor de Longa-Metragem Estrangeiro no Festival Internacional de Cinema de Madrid 2018, e indicado a Melhor Ator Principal em Filme Estrangeiro no Festival Internacional de Cinema de Madrid 2018.

Trailer Yonlu

 

3 comments

  1. Lúcia Plastina

    Bem interessante está história.

  2. Eliane

    Deve ser muito bom!

    1. Mauro Plastina

      Sim, Eliane. O filme é muito bom. Recomendo muito ele.

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