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Sexo, Sangue e Baunilha

Eu era muito tímido quando se tratava de relacionamentos. Não sei nem se posso chamar de relações. Alguns beijos aqui, algumas carícias ali, mas nunca nada além disso. Eu frequentava festas e passava horas analisando as pessoas. Gravava todos os rostos ao meu redor, sabia quem combinava com quem e até escolhia uma ou duas que me interessavam mais.

Infelizmente eu não tinha jeito, não sabia como chegar. E foi entre análises que a vi se aproximando devagar. Não achei que esse dia chegaria. Como em um filme, tudo em volta ficou fora de foco e em silêncio. Ela parecia se mover em câmera lenta. Seu olhar me paralisou, e eu não soube o que fazer. Me beijou. Cheirava a baunilha, seus lábios eram tão doces quanto seu perfume.

Horas se passaram e não notamos. Fomos embora. Quando percebi, nossos corpos suados pareciam um só em movimento. Entendi porque dizem que a primeira vez é inesquecível. Provavelmente a segunda melhor sensação que já tive em toda minha vida e isso me mudou e criou novos hábitos.

Pela primeira vez senti pena de alguém prestes a morrer, mas isso não me impediu. Assim como nada me deteve nas oportunidades anteriores. Descobri que o aumento da frequência cardíaca durante o sexo facilita na perda de sangue.

Sexo, sangue e baunilha. Depois dela, a morte tinha um novo gosto.

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